Dormir ou não dormir. Eis a questão…

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Desde que nascemos que temos necessidade de períodos de descanso que se vão tornando cada vez menores conforme vamos crescendo. Na escola, a sesta é um período de repouso após as actividades da manhã e o almoço, que tem como objectivo repor energias e assentar emoções – acreditem ou não, é emocionante fazer experiências, descobrir histórias novas, disputar jogos com amigos… e o nosso cérebro precisa de tempo para “assentar” tudo isso. Quando a sesta termina, a expressão é mesmo… “acordar de novo” para este dia e para mais aventuras inesperadas.

As sestas são muito importantes nos primeiros anos de vida pois completam as horas de sono necessárias para a manutenção do organismo, e o seu efeito reflecte-se a todos níveis biológicos – incluindo ao nível do desenvolvimento intelectual e cognitivo. “As crianças criam-se enquanto dormem” já diziam os nossos avós.

No entanto, temos todos biorritmos diferentes logo, as horas de sono necessárias vão variar de individuo para individuo desde o nascimento. Desta forma, e enquanto escola, sentimos que não nos cabe determinar quantas horas exactas a criança deve dormir e muito menos quando é que ela já não precisa de dormir. Acreditamos que é importante que seja dada a possibilidade de se dormir ou não até ao final do jardim de infância. Mesmo que, às vezes, “dormir” signifique apenas fechar os olhos por 20 minutos e relaxar um pouco. Todos sabemos quão bem isso sabe…

De extrema importância também, é saber ler no comportamento da criança as suas necessidades. Há que saber interpretar cada reacção à sesta e manter um diálogo presente com as famílias, no sentido de se conseguir avaliar juntos a real necessidade da criança dormir a sesta ou não. E não se devem acelerar etapas… À medida que a criança cresce, a necessidade de dormir à tarde vai diminuindo naturalmente até ela já não precisar de o fazer; e um indicador desta necessidade, é o tempo que demoram a adormecer à noite e a qualidade desse mesmo sono, por exemplo.

E para aqueles que adoram a objectividade dos números como eu, aqui ficam os dados divulgados pela Academia Americana de Medicina do Sono (A.A.S.M.) em Junho de 2016 relativamente à necessidade de sono em função da idade:

  • 4 aos 12 meses : entre 12 e 16 horas (incluindo as sestas)
  • 1 aos 2 anos : entre 11 e 14 horas diárias (incluindo a sesta)
  • 3 aos 5 anos : entre 10 a 13 horas (incluindo a sesta)
  • 6 aos 12 : 9 a 12 horas nocturnas.

O anular da sesta tem de ser a consequência da sua não necessidade e não o contrário. Retirar a sesta para ver o que acontece geralmente não se prova uma boa opção. Mesmo que já não durmam a sesta, todas as crianças deveriam ter um período de pausa, num ambiente calmo, sereno e relaxante. Sabemos que chegados ao primeiro ciclo, já não haverá sestas e as rotinas serão “non stop”… Mas até lá, deixem-nos ser crianças aconchegadas sobre catres coloridas.

E quando já não precisarmos de dormir, dêem-nos livros e músicas suaves e até fichas pedagógicas repletas de desafios. Actividades calmas, calminhas…

 

Rita Cardoso Garcia

Educadora de Infância

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