A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

Mães para Adopção

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Todos nós quando nascemos adoptamos uma mãe. As pessoas, regra geral, pensam que é ao contrário. Mas não é. Olhamo-la, tiramos-lhe as medidas, testamo-la e, por fim, tomamo-la como nossa.

Às vezes, essa mãe calha a ser a pessoa que está mesmo ali quando abrimos pela primeira vez os olhos. E, muitas vezes, quase sempre, está ao lado dela uma outra pessoa que também passará a fazer parte de nós. E ainda bem. Assim ela poderá dar-nos o seu sorriso macio, enquanto a firmeza do abraço dele nos promete o recanto mais seguro de toda a nossa vida.

Por vezes, essa mãe calha a ser a pessoa que está mesmo ali quando abrimos pela primeira vez os olhos mas, não está lá mais ninguém. E a estas mães, eu tenho de entregar o meu maior respeito. Só elas sabem como é, como foi, tudo muito mais difícil do que elas próprias esperaram. Há quem diga que não há mães solteiras. Há quem diga que há mães sozinhas. Eu digo que há mulheres que têm de ser tantas coisas, que os “nomes” se tornam absolutamente irrelevantes. E no meio do burburinho das queixas das amigas, às vezes, fica apenas a lembrança de que logo ao final do dia, não haverá ninguém com quem compartilhar nenhuma história… E que isso sim, podia até ser alvo de uma pequena queixa, houvesse alguém para ouvi-la.

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Outras vezes, essa mãe é alguém que nem estava lá quando abrimos os olhos nem teve qualquer decisão sobre o nosso nascimento. E, ainda assim, pôs-se ternamente a jeito para que sobre ela, pudéssemos edificar a nossa existência. É uma mãe que não nasce do desejo da carne mas da ternura que encontrou no seu coração.

Por isso, quando nascemos e adoptamos uma mãe, abrimos uma caixinha de surpresas que nem ela – a própria mãe… – tem a mínima ideia do que será… A felicidade de uma criança começa neste dia no qual, tem por direito, encontrar a surpresa mais bonita de toda a sua vida… Uma mãe com as suas virtudes e o seus defeitos, com os seus altos e os seus baixos mas, acima de tudo, humana.

Catarina Correia dos Santos
Psicóloga Clínica e Directora d’ A Casa Amarela
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Fotos: Momcircle.com, kykapp.com et al.

As Meninas, o Pai e o Espelho no Quarto.

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Qualquer menina sabe, que o pai é o melhor espelho do mundo. É aquele que nos diz se somos feias ou bonitas. Menos ou mais inteligentes. Pouco ou significativamente amadas.

Qualquer menina sabe que basta um brilho no olhar do pai para que o mundo se encha de tantas estrelas como um céu de Verão. Qualquer mulher sabe, que o Espelho Mágico dos contos de fadas existe. Vivia lá em casa. E que, de quando a quando, todas nós o consultávamos tal e qual como na história… “Diz-me, Espelho Meu… Existe alguém mais bonito do que eu?…”.

E sim. Na nossa história pessoal e intransmissível, também teve de ser encarada, a determinada altura, uma Branca de Neve “inoportuna”… O Pai é da Mãe. Sim, já percebi. “Mas vou querer um “pai” igualzinho ao “Pai”…!” E mesmo aí, quando já houver outro “Espelho Meu” nas paredes da nossa vida… Continuará a ser também no olhar desse “Espelho Original”, que encontraremos a resposta à nossa pergunta mais importante: Sou amada?…

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Nenhum Pai pode criar uma menina sem ponderar bem a importância de cada sorriso seu… De cada festa na sua cabeça… Mas, principalmente, de cada brilho no seu olhar cada vez que a menina o tentar conquistar com um “brilharete”… Uma palavra doce nova, um gesto muito feminino aprendido e ensaiado à mesa, uma imitação criativa das palavras ou modos da mãe…

Nenhum Pai se sonhe nunca uma figura secundária. Pode não carregar-nos no ventre e ficar completamente à parte dos nascimentos, das fraldas e dos leites… Mas o seu amor, quando chega, enche o nosso mundo. É o nosso mundo.

Obviamente que o Pai também tem um papel muito importante junto dos meninos – cabe-lhe a ele afinal, nada mais nada menos, que o papel de super-herói ao lado de quem se pode desafiar o universo…! – mas hoje, falamos apenas do lugar doce que ocupa junto de cada menina, sem outros mundos para salvar que não o nosso “sonho dele”.

Entre o menino e a menina estabelece-se uma diferença natural na relação com o Pai… Para o menino há o Pai, Eu e o mundo lá fora!… Para a menina, há o Pai, Eu… e o mundo entre nós.

 

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga e Directora d’ A Casa Amarela

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Fotos: thetrumpet.com, chartphotography.com and others.

 

As Crianças e a Culpa

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As crianças têm com a culpa uma relação simples e sem ambiguidades. Fora do contexto “entre pares”, independentemente do acontecimento, se ninguém mais se acusa – e mesmo no caso de alguém se acusar – em última instância, a culpa é… “minha”. Entenda-se, delas crianças.

“Não faço ideia porquê; mas tenho a certeza absoluta que sim.”. Seja a discussão mais acalorada ou a “saída” silenciosa de alguém de casa… Seja a insatisfação que as migalhas de atenção lhes vão deixando, por vezes, por dentro. Seja o mau resultado que se traz porque não se percebeu à primeira. Devia-se ter percebido. Surge o sentimento de que devia saber-se não sentir o vazio e inclusive receber a desatenção de braços abertos e alma benevolente. Dentro da cabeça deles tudo gira tão depressa. Cada vez mais depressa. E, de um momento para o outro, eu criança, tenho a absoluta certeza, que são esses meus “erros” e essas minhas “exigências” por algo a que não tenho direito, que levam à zanga e à tristeza dos outros. Às suas separações. A cada um dos seus gestos impensados. Visto cá debaixo, é tão fácil sentirmo-nos responsáveis pelo mundo “feito à nossa medida” que desaba lá em cima.

Vão passar muitos anos até que percebamos que o mundo é como é. Não foi feito especialmente para nós. Embora sim, pareça ser exactamente assim quando aqui chegamos. Tudo se move à nossa volta. Tudo parece tão inacreditavelmente novo… Nasce uma responsabilidade estranha cá dentro.

Um dia perceberemos que o mundo já existia muito antes de nós; e continuará a existir muito para além de nós. Um dia entenderemos que os efeitos que podemos ter nele são modestos e que quase sempre o que faz mover os outros, nada tem a ver connosco, mas com eles próprios. Talvez possamos chamar a esse entendimento “amadurecer”. Um dia acontece. Mas aí já seremos adultos.

Para já, somos crianças. E é indispensável que se fale connosco. É indispensável que não se coloque na nossa boca e no nosso coração palavras, vontades e receios que não são nossos. É necessário que não se esconda o que pressentimos ainda antes de chegar a ser “palavra”; e que, se não for falado, estará a sós connosco no quarto à noite como um fantasma… “Porque é que o Pai saiu de casa?…”, “Porque é que não voltei a ver a Avó?…”, “Porque é que a Mãe tem tanto medo de coisas que as outras mães não têm?…”.

As crianças observam e sentem o mundo como se o mundo fosse água e mergulhassem e nadassem nele. Ainda pressentem na pele o que os adultos criaram barreiras para não sentir. É por isso inglório, o esforço de lhes tentar esconder algo. E absolutamente errado, deixá-las dessa forma, a sós com as “descobertas” que fazem.

Mais vale dizer que não se sabe o “porquê” do que fazer de conta que não se sabe o “quê”. O “porquê” pode-se tentar descobrir juntos. A negação de uma situação, apenas deixa espaço para o vazio, para o afastamento e para desistência do diálogo. E embora hajam inúmeras saídas para a culpa, o diálogo é aquela que nos permite crescer para além desse sentimento, de mãos dadas connosco próprios.

É claro que há sempre outros caminhos alternativos mais à frente. Há a opção pela negação da culpa, ou pelo deixar de querer saber e fazer tantos “erros” que entre eles, já não há sequer como encontrar a dita “culpa”… Mas esses são caminhos dolorosos e terrivelmente sós, apesar da por vezes aparente facilidade com que se percorrem. Esses não são os caminhos que queremos para as nossas crianças.

Um minuto de diálogo nosso com uma criança, vale horas de amor-próprio e de entendimento futuro dentro deles. De diálogo. Não de monólogo. Porque eles não são recipientes para tudo o que achamos que temos de dizer ou perguntar. E, tal como nós, às vezes têm todo o direito de estacionar dentro da sua “bolha pessoal”.

Uma questão igualmente interessante, é como muitos de nós, continuamos a ser essa criança até tarde. Muitas vezes, mesmo até hoje. Como a culpabilidade pode persistir, depois de todos os factos explicados e entendidos; depois de as situações terem ficado já há tanto perdidas no tempo. A culpa não conversada permanece como uma cicatriz. Porque é uma emoção que não encontrou um pensamento. E frequentemente essa cicatriz, tem o nome icónico de depressão.

É hoje que se pode mudar o amanhã.

 

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga e Directora d’ A Casa Amarela

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Foto 1: Copyright ordiate.com

Foto 2: Copyright picgood.xyz

Demasiado Tarde para ser Mãe?

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Se ser mãe é, em última análise, essa capacidade máxima de amar um outro mais do que a nós próprios, com uma incondicionalidade que nos surpreende intrinsecamente; mais do que a qualquer outra pessoa. Se ser mãe é encontrar forças onde já não as sabíamos existir para tentar mais um pouco, para fazer ainda melhor, por aqueles olhos que iluminam a nossa vida mais do que o próprio sol. Se ser mãe é encontrar a coragem para deixar ir, quando se dava tudo para poder ficar abraçada só mais um dia. Se ser mãe é isto. É Amar. Então eu diria que há pessoas para quem, de facto, terá sido sempre demasiado tarde. Ou como Marguerite Duras o colocou nessa frase lindíssima… “Muito cedo na minha vida, era já tarde demais.”. Para todas as outras mulheres, creio que enquanto o coração bater, o olhar se emocionar e a orgânica o permitir, estar-se-á sempre a tempo de ser mãe… E de amar um outro, ou muitos outros, mais do que a si própria.

Lembremo-nos que a maturidade traz dádivas generosas. Como a aprendizagem que o hoje é muito mais valioso que o amanhã. E que este sorriso, ou estes sorrisos, que me banham agora são o privilégio e o prazer que não devo trocar, por nenhuma promessa de um sorriso no fim-de-semana que vem onde iremos ao tal sítio perfeito à hora perfeita. A perfeição não existe. Mas o amor existe. E aparece quase sempre no momento menos esperado, no lugar menos preparado, nesse piscar de olhos em que nem sequer o aguardávamos e aqui está ele… e nós de pijama; sem fato de princesa nem maquilhagem intocada.

Com a idade aprendemos isto. Aprendemos que não vamos ser perfeitas. Mas que seremos muito boas, quase fantásticas, se formos o melhor que conseguimos ser e dar. E a paz e a serenidade, e o amor incondicional que advém deste autoconhecimento, é um lugar maravilhoso para gerar e ajudar uma criança a crescer. Tudo bem que já não podemos correr tão depressa quando na praia ele ou ela ruma ao mar ou às bolachas do vizinho. Mas não estamos sozinhas e há que confiar. Mais que confiar, aceitar a nossa necessidade dos outros. Tenhamos que idade tivermos. Há um companheiro. Se não o houver, há amigos. Há pessoas. Há mais pessoas de alma enorme por aí, do que nós muitas vezes imaginamos.

Para crescer saudável, uma criança precisa de se saber amada, de se saber segura e de se saber livre. E tudo isto, é até provavelmente mais fácil de propiciar, quando já nos sentámos à sombra de quem já sabemos ser. Podemos não correr tão depressa. Mas ainda corremos quanto baste. Para te agarrar na berma da água e sorrir. Porque, subitamente, já não há pressas. O tempo está, finalmente, do nosso lado.

 

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga e Directora d’ A Casa Amarela

 

Primeira foto: Copyright David Peters: “Monica Bellucci et Léoni”.

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Matthew Broderick, Sarah Jessica Parker, Wilkie Broderick , Loretta Elwell Broderick, Tabitha Hodge Broderick…In this first official photo of twin daughters provided by Robin Layton, actors Matthew Broderick, right, Sarah Jessica Parker, left, and their son James Wilkie Broderick pose with their new daughters Marion Loretta Elwell Broderick, left, and Tabitha Hodge Broderick on Monday, June 29, 2009, in New York. The girls were born Monday June 22, 2009. (AP Photo/Robin Layton)

A Autoestima e a Educação Pré-escolar.

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O amor-próprio, ou autoestima, nasce do amor que encontramos nos olhos do outro. E da força e desígnio que isso coloca dentro de nós.

A noção de que a “personalidade” de um indivíduo se forma até aos cinco anos de idade não é nova. Tão pouco é nova a ideia de que a “autoestima” começa a ficar bem definida por esta idade, como defendido no artigo “Implicit measures for preschool children confirm self-esteem’s role in maintaining a balanced identity” e referenciado esta semana na imprensa Americana (https://www.washingtonpost.com/local/education/by-age-5-children-have-a-sense-of-self-esteem-that-rivals-adults-study-says/2015/11/06/72e39f2a-83f7-11e5-9afb-0c971f713d0c_story.html?tid=sm_fb). Mas, e tal como estes investigadores referem, a autoestima é uma “estrutura maleável”. Não fosse o ser humano ele próprio, uma estrutura absolutamente “dinâmica” que se forma e reinventa na “relação com o outro”.

Uma vez que este estudo surgiu na sequência do crescente investimento na educação pré-escolar nos E.U.A., torna-se provavelmente importante agora, pensar em que medida esta informação, nos deve fazer repensar a educação pré-escolar por cá. Será uma questão de ensinar mais, ou de ensinar de forma diferente?…

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Uma criança com uma maior autoestima será um adulto mais feliz e com maiores possibilidades de alcançar boas concretizações na sua vida. Estamos todos de acordo nisto, creio. Mas o que leva a essa “boa” autoestima?… Deter mais e mais informação?… Ou perceber que se é “bom” numa determinada área de conhecimento ou de actividade?…

Acredito que nunca fez tanto sentido uma “educação” na qual o mundo é posto a descoberto, para permitir a procura de um caminho “específico” para cada indivíduo.

Embora nos tenhamos todos de encontrar algures lá à frente – ou pelo menos seria ideal que assim fosse – naquilo a que comummente se chama de “cultura geral”, talvez seja uma ideia absolutamente simples e brilhante, cada um começar por perceber o que faz brilhar “a estrela no seu céu”. O que o desperta. O que o empolga.

Aqui na Casa Amarela, já tivemos crianças com as mais incríveis “estrelas no céu”…. Interesses profundos por peixes, por desenho… E, intuitivamente ou não, os nomes afectivos de “Pequeno Cousteau” ou “Pequeno Picasso”, depressa pairaram no ar… Talvez porque haja o entendimento inconsciente, que só seguir uma grande “paixão” pode levar a uma vida de profundas “realizações”.

É isso, que aqui na Casa Amarela queremos que as nossas crianças descubram: a sua estrela no céu. Antes do geral, mas necessário, “banho” em todo o conhecimento que o ser humano descobriu e guardou até hoje. «Aqui aprende quem és e como és bom naquilo de que gostas. Quando saíres daqui, será tempo para “redescobrires” o mundo.».

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga e Directora d’ A Casa Amarela

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Fotos Copyright: Gopix.database.com e cwdcouncil.

O Rectângulo Lá Fora.

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Há um rectângulo lá fora. No jardim. É castanho, bastante “quadradão” e, quando aqui chegamos ainda em tão tenra idade, apetece-nos de um modo permanente passar por cima dele a correr. Os pés ficam todos sujos e o rabo frequentemente também. Correr ali e não “aterrar”, é bem mais difícil do que parece. Mas sempre e de súbito, surge uma voz mais alta e eis que o trajecto se desvia e lá vamos nós pela relva até à cancela. É a voz que nos diz: “Não pisem a horta!”.

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E porque não podemos pisar a horta, perguntam vocês. Porque a horta é como um berço. No início disseram-nos que era a caminha onde dormiam plantinhas bebés mas pareceu-nos tudo um pouco confuso. Então a dormir em terra? E cá fora à chuva e ao calor?… Gostamos bastante das crescidas por aqui mas, nessa altura, confessamos que achámos que elas passeavam um pouco pela “estratosfera”… Entendem?

Mas bem… Houve um dia em que tudo mudou. Em que nós vimos com os nossos próprios olhos aquelas pontinhas verdes a aparecerem na terra escura. E no dia seguinte já estavam maiores, e no dia seguinte ainda maiores. E depois, aprendemos, que há sempre um dia em que ou se transformam em algo “real” como uma alface, ou nos apontam um galhinho com algo tão inesperado como um tomate.

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E sim, aí ficamos a perceber que o rectângulo lá fora é mesmo um berço. E que é um berço onde qualquer um de nós pode fazer aparecer por magia algo giro como uma cenoura ou uma batatinha. Passados alguns meses aqui, todos nós ficamos a perceber que aquilo lá fora, não é mesmo apenas um rectângulo. É uma porta aberta para descobertas fantásticas que mudarão a forma como olharemos o nosso mundo.

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga e Directora d’ A Casa Amarela

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Preparados Para O Nosso Primeiro Dia de Escola?!

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“Nosso”… Porque não é só deles, pois não?!… Dos jovens que levamos pela mão entre histórias sobre como foi “o nosso primeiro dia de escola” ou canções que nos ocorrem de momento sobre a mesma… Ou ainda, entre inúmeras repetições de como este sítio para o qual vamos – “A” escola – é algo absolutamente fantástico…! E está repleto, absolutamente repleto… De amigos e de gente boa! Este dia é também sempre um pouco “nosso”, independentemente de estarmos a levar o nosso primeiro, ou o nosso décimo filho, nessa experiência inigualável…! 

Importante reter sobre este dia, é o sabermos acreditar nós próprios, em todos estes sentimentos que lhes procuramos transmitir… Para que eles crianças, dependentes de nós pais e do nosso mais maduro julgamento, sintam que lhes passamos a segurança e a tranquilidade que eles precisam… Para começarem a explorar, a conhecer pessoas novas e a serem felizes na descoberta de si mesmos.

Importante é saber guardar dentro do coração, aquela angústia que sempre surge ao vê-los dar um passo que os leva ainda um pouco para mais longe do bebé, que ainda ontem acolhíamos com tanta e imensa ternura nos braços… E sabíamos depender em tudo de nós… Como é que o tempo passou tão depressa e já estamos aqui?… Com o meu bebé a dizer-me “Adeus!” e a correr à descoberta do seu próprio mundo?!… Todos nós pais, sentimos esse aperto cá dentro. E todos nós temos de saber dar-lhes gradualmente o espaço que eles precisam para “crescer”… Uma vez ouvi a Maria Bethânia dizer que os avós são os “pais com açúcar”… Eu creio que os pais, por sua vez, são as “âncoras de segurança” que o destino nos deu para enfrentar a vida… Com mais ou menos açúcar… Mas, saudavelmente, sempre com bastante “folga”.

N’ A CASA AMARELA nos dias 1 e 2 de Setembro as manhãs serão dedicadas a receber os pais e os bebés e a sentarmo-nos todos a cantar canções populares Portuguesas e a seguir o conselho de Albert Einstein: “Se querem que os vossos filhos sejam inteligentes, leiam-lhes contos de fadas.”… Eu iria mais longe, perdoe-me esse génio que eu tanto admiro… Leiam-lhes tudo… Histórias infantis, romances, livros de horticultura, astronomia ou culinária!… Abram-lhes os horizontes!… Ajudem-nos a descobrir o mundo maravilhoso que os aguarda…

Depois, ao final do dia, quando chegarem a casa… Não insistam num relatório intensivo sobre cada dia… Há crianças que contarão mil e uma coisas reais e imaginárias sem lhes perguntarem nada… Há outras que tomaram o seu tempo para absorverem dentro delas próprias este novo “cenário”… Falar sobre os planos para o próximo fim-de-semana e ler-lhes um livro sobre estrelas ou dinossauros, resultará num momento de partilha muito mais próximo e tranquilizador para todos.

E depois, há claro todas aquelas notas de rodapé que são essenciais… Etiquetas com o nome em tudo!… Daquelas de colar com o ferro de engomar… São fantásticas!… Nome escrito a caneta de acetato no interior de todos os sapatos, roupa interior…! A quantidade de calçado, roupa e demais artigos absolutamente idênticos que nos chegam todos os anos é… inacreditável!!… E que oportunidade fantástica é esta, de dar-lhes a possibilidade de reconhecer o Seu nome!…

Um EXCELENTE ano lectivo de 2015-2016 para todos nós!!

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga e Directora Técnica