Existo porque “Iogo”.

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Não é fácil ser criança nos dias que correm. Entre os horários, as corridas entre o trânsito, as actividades extracurriculares. Até aos fins-de-semana há uma ou outra tabela horária a cumprir. Já não o era na nossa altura. Para aqueles de nós que sempre vivemos numa cidade. Não há espaço, não acontece o momento de “paragem”.

A “paragem” é uma zona francamente pessoal e necessária para todos nós. E também para as crianças. É a zona onde nos realinhamos com as coisas à nossa volta para não seguir meses a fio – muitas vezes anos – numa trajectória que não só não nos traz nada, como nos enguiça as possibilidades de estar e ser melhor. Que possibilita repensarmo-nos.

Muitas vezes o corpo, ele próprio, dói porque se curva e esmaga face a situações que a mente não tem tempo para pensar e mudar. E persiste. Fica aquele vazio de mãos dadas com um eterno adiamento de algo que não se chega a consciencializar.

Durante uma hora, ficar a sós com nós próprios e passar da posição de gato para a de montanha, não é brincar no chão. É, muitas vezes, chegar ao final dessa hora e, no meio da paz e conforto físico e mental que finalmente se sente, de repente pensar “Vou mudar aquilo…”. Sem ansiedade. Sem inquietude. Com a simplicidade que as coisas podem ter quando não nos deixamos afundar entre pressões e questões maiores que nós mesmos.

Nas crianças as ponderações são bem mais fáceis. Mas também existem. As crianças pensam, meditam sobre o que as rodeia. Sobre as pessoas, sobre as acções – suas e dos outros. O Ioga dá-lhes um espaço de “paragem” no qual a sobre-estimulação do mundo actual não existe e eles podem ganhar uma consciência mais coerente deles próprios. Na qual a sua auto-imagem e a sua autoestima podem formar-se de um modo saudável e forte.

O Ioga ensina-lhes que é uma coisa boa desacelerar de quando a quando; que não é preciso correr o tempo todo. Mas, principalmente, forma-os para serem adultos habituados a parar e a pensar, e preparados para não serem engolidos pelas vicissitudes de um mundo em que, cada vez mais, os indivíduos se perdem no Todo sem conservar o Eu. Em que como Mia Couto escreveu de um modo absolutamente lúcido… “Vai-se a todo o lado mas não se sabe estar em lado nenhum.”.

Boas “paragens”. Bom Ioga…. Crianças. Pais. Avós… Aquela coisa que têm de fazer já a seguir… Pode não ser assim tão importante….

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N’ As Casas Amarelas… e sim, isto é um detalhe importante… em ambas… “Crescemos no Ioga” através de momentos de “paragem” em que trabalhamos posições básicas que as crianças sentem muito como suas… Porque na realidade o são, se repararem na figura acima… E, todos os meses, perscrutamos jornais de ioga e sites vocacionados e inspiramo-nos a “experimentar” uma posição nova… Não porque tenha de ser. Apenas porque pode ser… Se assim fizer sentido… Sem inquietudes…

Por aqui, plantamos sementes…

 

Catarina A. Correia dos Santos
Fundadora do Projecto A Casa Amarela
Licenciada e Mestre em Psicologia Clínica (I.S.P.A.)
Licenciada em Psicologia Social e das Organizações (I.S.P.A. /Katholiek Universiteit Brabant)
Membro Efectivo da Ordem dos PSicólogos Portugueses (O.P.P.) 

 

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