A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

O meu Impreterível Direito… a não conhecer a boca do crocodilo!

DSC_0889 (2)

Ser pai, mãe, cuidador em geral, há-de ser o trabalho mais difícil do século. Porque desde a hora em que nascemos, que há dentro de nós, uma atracção inadiável – e mais que saudável!… – pelo cruzar da fronteira. O que há atrás daquilo?… O que acontece se eu fizer assim?… São questões, curiosidades, umas atrás das outras numa verdadeira catadupa!… Imparável; e esperemos nós, que até ao resto da vida!… Mas convenhamos, dá trabalho e apertos no coração até dizer chega!… Não tanto descobrir o resultado de cruzar essas fronteiras, mas muito mais de ver quem amamos cruzá-las e, por vezes, despencar-se por colinas esperemos que pouco íngremes; e, no entanto, indispensáveis ao crescimento e à aprendizagem de cada ser humano.

Venham então os desafios e as aventuras. E venha então dentro de cada um de nós cuidadores, a coragem para ir acompanhando de coração hesitante tudo isto!… As tentativas, as subidas, os erros e as aprendizagens. E que bom que venham enquanto aqui estamos de mãos abertas para suster, aqui e ali, as tropelias que todas as vidas e crescimentos nos reservam. E que bom podermos fazer parte desta fase, que lhes ensinará tanto sobre a vida e sobre como conduzir pelas suas alamedas, curvas e caminhos todo-terreno.

Aprender aos dois anos que se não tivermos atenção àquele móvel, ele é bem capaz de nos bater na cabeça… Dá para acreditar?… Aprender aos quatro anos que se batermos num amigo, ele vai bater-nos de volta… Pois… É mais do que certo… Aprender aos dez anos que, às vezes, não resulta correr atrás daquelas “amigas” com demasiada tendência para jogos da idade do armário… Aprender aos 15 anos que é difícil discernir entre o que parece “cool” ser-se e o que nós verdadeiramente somos… Tudo isto são aprendizagens que nós cuidadores, preferíamos sem dúvida, que eles conseguissem sem desconforto, mas em que essa experiência de alerta e decepção é, precisamente, o que criará dentro deles a mudança, a resiliência e a capacidade de reconhecer o perigo. Dentro de todos nós aliás.

Por isso, aprendamos hoje o mais possível tudo sobre as colinas que existem no caminho. Enquanto quem cuida de nós, nos pode pôr a mão por baixo como se põe “ao menino e ao borracho”… Comecemos a intuir hoje, bem de pequeninos, que há coisas que são uma ideia a experimentar e outras que nem tanto. Para que um dia bem mais tarde, já saibamos prever sem precisar de experimentar, que espreitar para a boca de um crocodilo, por exemplo, não é uma boa ideia…! Revindiquemos então, o nosso impreterível direito… a não conhecer a boca do crocodilo!..

Por isso, venham daí as experiências menos fáceis… Venham os móveis, as relações de pares, a descoberta identitária e as escolhas de uma vida inteira…

Catarina Correia dos Santos

Directora Técnica e Psicóloga Clínica

No comments yet»

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: