A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

A Adaptação ao Infantário

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O infantário é um momento e um tempo de socialização para a criança, que se diferencia daqueles que ela viveu até essa altura por acontecer num espaço novo, com muitas pessoas novas e longe das figuras parentais e/ou significativas.

Por este motivo é importante que este momento decorra com a maior serenidade e afecto possíveis, mas também sem hesitações, para que a criança sinta esta nova etapa como uma situação segura e acolhedora – um caminho por onde se pode aventurar sem receio.

Se a mãe e o pai estão felizes por ele estar ali é porque este é um sítio bom para se estar. É claro que eu vou estrebuchar quando eles disserem que vão trabalhar e que mais logo voltam para me buscar; eu gosto deles e quero que eles fiquem por perto enquanto eu brinco e era bom eu poder explorar todo este “mundo novo” com eles aqui maravilhados a olhar para mim… Mais importante do que isso, sempre a jeito para um abracinho de apoio ou de protecção.

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Mas chega um momento em que as crianças percebem que o mundo é algo mais que uma mera continuidade de si próprios e, nesta linha de ideias, têm de aprender que aquelas duas pessoas, para além de serem os pais que o adoram, são também duas pessoas com outras coisas suas para ser e fazer. Assim sendo, quando a criança percebe que os pais voltam sempre para a vir buscar, ela aprende que pode brincar e divertir-se enquanto eles aqui não estão; porque eles adoram sempre vê-la de novo. Porque a beijam e a abraçam e lhe chamam coisas boas como “Amor”, “Filhote” ou “Joãozinho”… E, desta forma, a criança cresce certa do seu amor.

Há alturas em que a adaptação ao meio escolar precisa de ser mais cuidada. Uma dessas alturas é o oitavo mês de vida em que as crianças começam a diferenciar claramente os rostos mais familiares dos outros e se apercebem da existência de outras pessoas para além daquelas a que se encontram vinculadas afectivamente. Nesta altura é comum apresentarem comportamentos de claro receio e rejeição em relação a estranhos ou mesmo a pessoas que vejam com menos frequência. A este comportamento dá-se o nome de “Angústia do Estranho” (R. Spitz, 1965) e a sua duração varia de criança para criança.

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Outros momentos que requerem especial atenção são o 16º mês de vida, altura por volta da qual a criança dá início à sua busca por autonomia e descoberta e fica particularmente atenta à qualidade securizante do vínculo com as pessoas que tem como significativas; uma entrada menos cuidada para escola nesta altura, pode ser fantasiada pela criança como uma represália pelos seus desejos de individuação e promover regressões em termos de desenvolvimento. A altura do nascimento dos irmãos, de separações dos pais, de doenças ou perdas familiares ou de quaisquer outros eventos que remetam para mudanças de vida significativas, devem igualmente ser alvo de atenção. Sempre que se esteja a desenrolar uma destas situações no seu contexto familiar é importante que o diga na escola por forma a que a equipa escolar possa colaborar consigo no trabalhar afectivo destas questões.

Só fica dentro de nós como uma “questão”, aquilo que não houve possibilidade de falar aberta e afectivamente – entenda-se de coração aberto – com o outro.

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga Clínica e Directora Técnica

 

Referência Bibliográfica: Spitz, R. (1965). The First Year of Life. New York: International University Press

 

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