A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

Quem eu sou quando estou contigo.

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Eu, como qualquer outra mãe, tive de fazer o balanço entre o trabalho e os filhos. Levantar esta escola não foi uma tarefa fácil, nem célere, nem não cobradora, assiduamente, de toda a minha paciência e disponibilidade mental. Dirigi-la actualmente, mantendo-a com os padrões de excelência que pretendo, é um trabalho muito bom no sentido em que me dá tanto de volta… Mas é igualmente um trabalho contínuo que não acaba à noite nem respeita, propriamente, quaisquer férias que eu planeie.

No meio de tudo isto, quando eu me sento no sofá e abro os teus álbuns de bebé, enche-me o coração recordar-me dos teus banhos, das tuas mudas, da tua hora da sopa sempre tão rica em manifestações, da vez que ainda de “babygrow” me apareceste de saltos altos na cozinha… Da tua atracção imensa pela misturadora do bidé e pela sua transformação em aspersor de interiores. Lembro-me de descobrir que sabia cantar e de cantar horas a fio para te embalar por puro prazer… Lembro-me de como os teus olhos mínimos se mexiam ao som da minha voz.

Tenho imensas saudades de cada um desses momentos mas, acima de tudo, sinto-me feliz por ter estado lá. Sinto-me feliz por todas as opções que fiz que me permitiram ver cada uma dessas coisas. Não considero que ter decidido por um projecto mais pequeno, quando podia ter voado mais alto, tenha sido um atraso ou uma perda, se o ganho foste tu. Sinto-me feliz por continuar a estar aqui, presente em cada uma das tuas mudanças, para cada uma das tuas questões, independentemente de tudo o que teve de ficar de lado ou em suspenso.

“Todo o tempo do mundo” teria sido sem dúvida demais para ti e demais para mim, no sentido em que tu também precisas de espaço sem “mãe” e eu de espaço para crescer enquanto indivíduo; e todo o crescimento que tolda um outro, tem em si algo de incorrecto. Mas ter chamado a mim estes momentos, que parecendo triviais são por isso mesmo, aqueles onde se estabelecem os vínculos afectivos e a confiança, foi a melhor coisa que eu podia ter feito por ti e por mim mesma. Nós gostamos de quem brinca connosco na relva do jardim, mas amamos verdadeiramente quem faz a nossa sopa favorita, quem à nossa cabeceira não adormece quando estamos doentes.

O balanço entre o trabalho e os filhos não é fácil. É penoso encontrar o equilíbrio, adaptá-lo à diferença de cada dia e de cada criança. É difícil não nos perdermos, frequentemente, na dúvida sobre se estamos a ser suficientemente bons esquecendo que, como Eduardo Sá diz, não há pais perfeitos. Há apenas a possibilidade enorme de fazermos o melhor que pudermos. O balanço entre o trabalho e os filhos não é fácil mas, mais que uma obrigação para com eles, é uma obrigação para connosco próprios; para com o tempo, em que bem mais velhos, vamos gostar de poder recordar cada um desses banhos, cada uma dessas sopas entornadas… Cada um desses embalares que já não voltam.

Tal como Gabriel García Márquez escreveu: “Não te amo por quem tu és, mas por quem eu sou quando estou contigo.”.

 

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga Clínica e Directora da Casa Amarela 

 

 

 

 

2 comentários»

  Francisco wrote @

Viva os banhos e as sopas entornadas! Obrigado Catarina,

  acasaamarela wrote @

Vivam todos os banhos e sopas entornadas que já passaram e venham daí mais!🙂 Beijinhos, Catarina


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