A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

Filho Único ou Não?

brothers

Regra geral, diz-se que ser filho único não é bom. Que não se passa pela experiência da “partilha” das coisas boas, tanto como das coisas más; no sentido, em que um irmão é alguém, com quem a princípio, temos de dividir o que não queremos dividir, mas com quem também podemos contar para carregar juntos, aquilo que a ter de superar sozinhos custará, por certo, muito mais.

Eu diria que há filhos únicos com muitos “irmãos” e crianças com muitos irmãos que são verdadeiros filhos únicos. A dinâmica familiar e a própria personalidade da pessoa, filho único ou não, irão ter um papel fundamental em toda esta evolução.

Mother reading to child copyright Bill Frymire Dec. 2003

A verdade é que se a família o propiciar, um filho único tem inúmeras possibilidades de aprender a partilhar. Não se partilha só com os irmãos. Partilha-se com os amigos, com os colegas de escola, com os primos, com os avós, com os pais. Frequentemente relaciona-se a questão da dificuldade em partilhar com objectos físicos como os brinquedos ou algo semelhante mas, a maior parte das vezes, aquilo que é mais difícil de partilhar para uma criança, é a atenção.

Será que é preciso então aparecer um irmão para se aprender a partilhar a atenção dos outros?… Isso implicaria que todos os filhos únicos tivessem sido crianças incapazes de o fazer. E que todas as crianças com irmãos, conseguissem “partilhar” sem quaisquer questões. E isso, não corresponde à verdade. A partilha e o saber esperar, têm de ser ensinados em família, independentemente do números de “irmãos” que exista lá em casa.

Monkey-Business

Por outro lado, um irmão virá bastante a jeito sempre que se abram portas “novas”. Ou porque já as abriu antes e pode contar ou permitir observar como foi. Ou porque pode partilhar, eventualmente, cada uma dessas aventuras e passos de autonomia; o chamado “mano a mano”. Ter irmãos será, sem dúvida, sempre uma boa nova para qualquer criança, mas ser filho único não é obrigatoriamente um handicap na evolução da personalidade, da aprendizagem e dos níveis de sociabilidade de um indivíduo.

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E agora, provavelmente estarão a perguntar-se se eu terei irmãos… Tenho dois irmãos. Não sou portanto filha única. Mas dada a enorme diferença de idades entre nós, não serei?… São estas as curvas do caminho, que fazem com que seja a nossa própria personalidade e o funcionamento da família, a ter o peso decisório sobre o nosso futuro enquanto pessoa adulta.

 

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga Clínica e Directora da Casa Amarela

KidsPlaying

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