A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

O “Bê-a-Ba” das Birras.

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Há frases que nos ficam para sempre, ou pelo seu peso emocional ou pela sua lógica incontornável. Na universidade e muitas vezes após isso, eu tive o privilégio de ouvir o Prof. António Coimbra de Matos recordar-nos que qualquer criança, e já agora qualquer pessoa em geral, precisa de uma mão que lhe dê carinho e de uma outra que lhe aponte os limites… Se o afecto é necessário para criar uma auto estima forte, os limites são igualmente necessários para dar ao indivíduo a noção de que está seguro.

Se uma criança se aperceber que consegue vencer a mão que aponta os limites, que consegue controlar os adultos à sua volta no sentido de os levar a fazer o que ela quer, ela começará a interrogar-se sobre quem então terá a força suficiente para a proteger caso ela disso precise. Até que ponto não serão então as “birras” uma forma de testar a força do adulto e, consequentemente, o nível de segurança que este pode oferecer?

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O passo mais difícil de amar é dizer que “não”. É dizê-lo quantas vezes for necessário até o outro perceber que nós jamais desistiremos dele – e do seu destino, e da sua segurança. Dizer “não” não é não gostar de alguém, muito pelo contrário; é gostar muito dessa pessoa. Porque nada é mais fácil do que dizer “sim”.

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Só deve haver receio de impôr as regras se não gostarmos ou não estivermos presentes o suficiente, e houver de facto o risco da criança se sentir mal amada e rejeitada. Regra geral, nas famílias com que nos cruzamos no nosso dia a dia, não é isso que acontece. O afecto e a rotina estão presentes logo, não há que temer o colocar de limites às crianças. Elas têm a perfeita noção de que gostamos delas. Têm então agora de adquirir um conjunto de novas “noções”: têm que entender que elas são crianças… que os outros é que são adultos… que os adultos detêm o poder porque elas ainda não estão preparadas para decidir por si… e que birra alguma irá alterar isso.

Cada birra que uma criança “vence” no exterior, perde-a na realidade, dentro de si.

 

Catarina Correia Santos

Psicóloga Clínica e Directora d’ A Casa Amarela

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