A Casa Amarela Infantário

Um sítio perfeito para se crescer.

O Novo Elemento

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Já lá vai o tempo em que a madrasta e o padrasto eram aquelas criaturas más dos contos de fadas cujo nome ficava sempre por dizer, um pouco como se por não ser soletrado, pudesse de alguma forma não o ser.

Nos dias que correm, as famílias reformam-se ao sabor do crescimento dos pais, que também pessoas, precisam de novos espaços ou encontram caminhos diferentes. Nestas encruzilhadas, podemos pensar que os filhos perdem muito; sem dúvida que perdem algo: a primeira família. Mas talvez também haja espaço para pensar naquilo que ganham. Que em duas famílias felizes – ou mesmo que apenas funcionalmente boas – existem mais pessoas com atenção, amor e conhecimentos para dar, que numa família rarefeita e já disfuncional.

As madrastas e os padrastos sem nome estão “démodé” e devem ser arquivados, juntamente com os medos e ciúmes dos pais separados ou divorciados, num armário qualquer com pouco ou nenhum uso. Os meus filhos estão bem comigo, mas que bom é saber que eles também estão bem com as outras pessoas; particularmente, com aquela pessoa que está com quem já não estamos e, que por isso mesmo, passa tanto tempo com eles.

Se nos incomoda esse bem-estar. Se nos traz uma sensação de insegurança e um medo infundado de sermos substituídos nos seus pequenos corações – “infundado” porque nunca ninguém nos conseguirá substituir… – então terá chegado a hora de repensarmos essa nossa preocupação como um cuidado connosco próprios, um “egoísmo”… e já não como um cuidado com os nossos filhos.

Chamemos a Carolina pelo seu nome, porque acima de tudo, cabe-me lembrar que é ela quem lá está quando eu não estou. E chamemos o David por David, porque quando os meus filhos escorregarem do baloiço e eu não estiver por perto, eu quero muito que ele lá esteja.

 

Catarina Correia dos Santos

Psicóloga Clínica e Directora da Casa Amarela

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