Na sexta fizemos um bolo. Todos juntos. Sentámos-nos no refeitório à volta da mesa e metemos mãos à obra. A Célia ia trazendo coisas. Ovos,vários pacotes brancos, uma garrafa com um líquido dourado, iogurtes e três grandes maçãs vermelhas (os iogurtes são para comer já?… ah… são para o bolo).
A Mafalda mostrou-nos como partir os ovos e deixou-nos deitá-los para dentro desta taça enorme à nossa frente. Conseguimos sorrateiramente também mexer nas cascas. Depois foi a parte mais doce. O açúcar. Quem diria que aquela coisa tão boa vinha de um pacote branco? Um dia destes vamos aprender de onde vem antes de vir do pacote branco (já temos beterrabas a crescer na horta especialmente para esse dia…).
Depois, aos poucos, foi tudo caindo para dentro da taça e, cada vez que algo caia, nós tínhamos de contar quantos copos se tinham de deitar lá para dentro: 1, 2, 3… e, de alguma forma, caia sempre também algo para fora, para todos os lados, e nós podíamos mexer e provar-lhe!
No final a Mafalda usou um instrumento branco com duas hastes estranhas e que fazia muito barulho para juntar tudo. Depois a Célia trouxe uma espécie de tacho com um buraco ao meio (chamaram-lhe “forma”; em forma de quê?!…) e deitou a nossa poção “mágica” lá para dentro. A Célia levou a “forma” com a poção mágica para o forno e nós fomos lavar-nos e almoçar.
Depois da sesta, descobrimos porque é que a “forma” se chama “forma”… Porque é em “forma de bolo”! O nosso bolo de maçã estava alí, lindo e delicioso a olhar para nós. “É um bolo de quê, meus amores?…”. “Apple!”. “Muito bem, an apple cake!”. E, pelo menos por hoje, fomos uma vez mais, felizes para sempre…

Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica