Desde o nascimento até aos seis anos de idade, as experiências mais enriquecedoras são aquelas que partem do corpo. É através dos movimentos e acções sobre objectos e pessoas que as crianças conhecem e compreendem o mundo envolvente. A psicomotricidade marca portanto, a relação entre a criança e o meio, promovendo a formação de base indispensável ao desenvolvimento motor, afectivo e psicológico.
O desenvolvimento psicomotor parte do corpo e das suas habilidades motoras para atingir o desenvolvimento psicológico global das crianças. A expressão psicomotora estabelece a influência que o movimento tem na organização psicológica geral, assegurando a passagem da vertente corporal à vertente cognitivo-afectiva. E para que a actividade motora o seja de facto, não pode ser um movimento reflexo e espontâneo mas sim volitivo e intencional.
Ao avançar no conhecimento e manipulação do seu corpo, a criança actualiza e exercita os seus instrumentos cognitivos, afectivos e relacionais à conquista da construção da sua individualidade. Não se pode explicar a uma criança como é que ela é, só o vivenciar das situações lhe permite o conhecimento do seu esquema corporal e lhe possibilita fazer a diferenciação face aos outros e ao mundo.
Para que a expressão psicomotora seja trabalhada de forma adequada necessita que sejam utilizadas funções motoras, perceptivas, afectivas, e sócio-motoras, pois assim as crianças exploram o ambiente e passam por experiências concretas indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual. A motricidade assume então um papel fundamental no desenvolvimento das restantes áreas, nomeadamente a cognição, a linguagem e o domínio sócio-emocional.
Torna-se portanto determinante a existência de contextos que possibilitem à criança a concretização de situações potenciadoras do desenvolvimento de competências como o equilíbrio, a lateralidade, a coordenação óculo-manual, óculo-pedal, a noção de corporalidade ou organização espaço-temporal.
Segundo Zabalza (1992:33) “ o corpo é conteúdo didáctico permanente (vivê-lo, cuidá-lo, usá-lo, usufrui-lo, etc) da escola infantil”. É portanto imperativo oferecer respostas diversificadas e estimulantes ao desenvolvimento global.
Mafalda Peralta da Costa
Educadora de Infância
Zabalza, Miguel (1992), Didáctica da Educação Infantil Edições Asa, Rio Tinto