A Casa Amarela Infantário
Um sítio perfeito para se crescer.Na nossa horta há… música?!
Na nossa horta há…
Muitas coisas. Coisas de todas as cores. Legumes de todas as cores. Pintalgadados. Dedados. Não faltam cores nem formatos, porque cada um vê o que vê… e o que vê é para contar (desenhar…)!
E depois de lembrar e desenhar a horta, chega a música… “Também posso tocar?”…

Na horta lá fora… Crescem de verdade muitas coisas boas; umas que já podemos colher…

E outras que ainda não, mas quase…

Amanhã voltamos lá para ver.
Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica
Festa de Cores, Cores em Festa
Este mês enfeitámos a Casa Amarela…
Já tínhamos muitas cores, é verdade… Mas poderá uma escola, alguma vez, ter cores a mais…? Nunca.
Não aprendemos nada sobre santos populares ou marchas bairristas – cremos que tempos virão em que nos ensinarão sobre tudo isso… – para já, foi só uma questão de cores, grinaldas voadoras e balões! E, para já, é quanto nos basta para sabermos que estamos em festa!

Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica
An Apple Cake
Na sexta fizemos um bolo. Todos juntos. Sentámos-nos no refeitório à volta da mesa e metemos mãos à obra. A Célia ia trazendo coisas. Ovos,vários pacotes brancos, uma garrafa com um líquido dourado, iogurtes e três grandes maçãs vermelhas (os iogurtes são para comer já?… ah… são para o bolo).
A Mafalda mostrou-nos como partir os ovos e deixou-nos deitá-los para dentro desta taça enorme à nossa frente. Conseguimos sorrateiramente também mexer nas cascas. Depois foi a parte mais doce. O açúcar. Quem diria que aquela coisa tão boa vinha de um pacote branco? Um dia destes vamos aprender de onde vem antes de vir do pacote branco (já temos beterrabas a crescer na horta especialmente para esse dia…).
Depois, aos poucos, foi tudo caindo para dentro da taça e, cada vez que algo caia, nós tínhamos de contar quantos copos se tinham de deitar lá para dentro: 1, 2, 3… e, de alguma forma, caia sempre também algo para fora, para todos os lados, e nós podíamos mexer e provar-lhe!
No final a Mafalda usou um instrumento branco com duas hastes estranhas e que fazia muito barulho para juntar tudo. Depois a Célia trouxe uma espécie de tacho com um buraco ao meio (chamaram-lhe “forma”; em forma de quê?!…) e deitou a nossa poção “mágica” lá para dentro. A Célia levou a “forma” com a poção mágica para o forno e nós fomos lavar-nos e almoçar.
Depois da sesta, descobrimos porque é que a “forma” se chama “forma”… Porque é em “forma de bolo”! O nosso bolo de maçã estava alí, lindo e delicioso a olhar para nós. “É um bolo de quê, meus amores?…”. “Apple!”. “Muito bem, an apple cake!”. E, pelo menos por hoje, fomos uma vez mais, felizes para sempre…

Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica
Quando eu nasci…. havia a minha Mãe.

Ela é o primeiro rosto que vimos na nossa vida. O primeiro olhar que doce desce sobre nós. A primeira boca que nos beija. O primeiro seio que nos alimenta.
Mas ainda antes disso, era dela o primeiro coração que ouvi bater. Eram dela os primeiros dedos que tocaram ao de leve a ponta do meu pé, quando eu me estiquei ainda naquele mar de líquido rosa. Era dela aquela primeira voz que me ouvi dizer: “Estás a dar-me um pontapé, bebé?…
“Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
(…)
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…”
(Sebastião da Gama, 1945)
E porque os Dias da Mãe são todos os dias, o nosso foi no primeiro domingo de Maio, mas também foi ontem, anteontem, hoje e será amanhã e depois de amanhã. E, por esse motivo, o nosso artigo sobre as mães publica-se hoje. Porque tanto faz.
Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica
Da Gama, S. (1945). “Serra Mãe.“. Portugália Editora: Lisboa.
FELIZ DIA DA MÃE N’ A CASA AMARELA:

Fotograma Mãe com Bebé: Devon Derucher
Uma manhã na horta
Nada como uma manhã na horta, a remexer na terra e na água, para ficar com uma boa ideia das diferentes cores, cheiros e texturas que a natureza nos oferece.
Todas a manhãs, na Casa Amarela, um menino ou uma menina rega a horta e um outro colhe um vegetal, mas hoje a ideia foi mesmo pôr as mãos (e não só…) na terra, e agarrar tudo aquilo que não tivesse tempo de fugir a tempo.
Neste ano em que a obra de Darwin comemora 200 anos de existência e a vida é cada vez mais asséptica, é bom voltar às origens…
Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica

SETEMBRO: Inscrições Abertas a partir de dia 1 de Abril
Informamos os pais interessados, que no próximo dia 1 de Abril abrem as inscrições para Setembro de 2009, sendo que a partir desta data, começaremos a aceitar as inscrições por ordem de chegada e até completar o número de vagas existentes. Após o preenchimento de todas as vagas, manter-se-à uma lista de espera para substituição de eventuais desistências.
Pedimos aos pais, que dentro do possível, evitem o horário das 11h às 12.30h, altura na qual decorrem as rotinas de higiene e alimentação, assim como a entrega e acolhimento das crianças em horários parciais.
Obrigada pela vossa compreensão.
Até já.
O Capuchinho Vermelho no AteLier de ArTes PláStiCas
Hoje contámos a História do Capuchinho Vermelho, e como a Capuchinho quis ir pela floresta, nós decidimos ir com ela… Pelo caminho desenhámos tudo o que fomos vendo: árvores, flores, passarinhos, etc…
E eis a nossa obra de arte:

O papel do Pai.
Crescer com um pai e com uma mãe – apesar das suas eventuais discórdias e mais que certos desencontros – é como viver num país com dois partidos (Coimbra de Matos, 2009); supostamente, oferece-nos a possibilidade de aceder a duas visões sobre as coisas, a duas maneiras de fazer exactamente uma mesma coisa, à possibilidade de optar. E sobre esses dois olhares sobre o mundo, cresce o nosso, parecido em muito com estes mas, ainda assim, diferente quanto baste.
Se bem que laços biológicos e de nutrição ligam mãe e bebé de um modo particular nos primeiros tempos, ao pai impõe-se um papel delicado; para além de se estabelecer como a entidade com quem se mantém um vínculo afectivo sob a égide da segurança e da presença dos limites, este terá ainda de funcionar, amiudamente, como o “mediador” na relação mãe-filho. Como o psicanalista Fairbairn (1940) escreveu: o pai corrige os “vícios” relacionais com a mãe.
Num tempo em que, ter um filho passou a ser um privilégio caro e bem pensado, passámos de ter um “l’enfant” para proteger um “infant” (Aulagnier, 1986), ou seja, a criança que crescia entre iguais, tende a passar a ser criada como “especial” – com toda a fragilidade e solidão que acarreta, sentirmo-nos diferentes dos nossos pares.
Quando uma mãe tem o seu bebé ao colo e a brincar finge que o atira ao de leve ao ar, faz exactamente isso… finge que o atira; subtilmente mantém-no sempre ao colo. Quando um pai tem o bebé ao colo e o atira ao ar, atira-o bem alto; e é lá de cima que ele vê o seu mundo.
Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica
Aulagnier, P. C. (1986). “Un Interprète En Quête De Sens.“. Editions Ramsay: Paris.
Coimbra de Matos, A. (2009). Discurso proferido no 1º Encontro da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica sob o tema “A Esquizóidia e a Sociedade Actual”. Lisboa.
Fairbairn, R. (1949). Estudos Psicanalíticos da Personalidade. Vega: Lisboa.
FELIZ DIA DO PAI NA A CASA AMARELA:

Aprende-se ao espelho
Aprende-se ao espelho. No sentido em que quando uma criança aprende, ela aprende em frente a um espelho, que é um outro ser humano, que entendido emocionalmente como um igual, lhe proporciona a experiência de poder ver e repetir as experiências que a impelem para o crescimento. Mais que aprender, ao observar o outro e as suas experiências – positivas e negativas – a criança aprende algo, que não sendo um conhecimento, será uma peça fulcral na sua relação futura com a vida e com os outros: a capacidade de empatia.
Os neurónios em espelho e as sinapses entre eles (sinapses espelhadas) permitem viver um determinado acto ou emoção como se o próprio fosse o actor envolvido e não um mero observador. Este viver das experiências sem a obrigatoriedade de passar pelo acto, constitui uma base fulcral da aprendizagem pelo “faz de conta”, constituindo em parte, um aprender indirecto, pelo erro “do outro”. A linguagem é uma das áreas que parece mais ganhos receber deste funcionamento, embora dada a sua recente descoberta pelas neurociências, é esperado entender-se em breve, muito mais sobre o quão extenso será realmente o papel do funcionamento mental em espelho, no desenvolvimento e aquisições dos primeiros anos de vida.
Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Directora Técnica
Psicomotricidade
Desde o nascimento até aos seis anos de idade, as experiências mais enriquecedoras são aquelas que partem do corpo. É através dos movimentos e acções sobre objectos e pessoas que as crianças conhecem e compreendem o mundo envolvente. A psicomotricidade marca portanto, a relação entre a criança e o meio, promovendo a formação de base indispensável ao desenvolvimento motor, afectivo e psicológico.
O desenvolvimento psicomotor parte do corpo e das suas habilidades motoras para atingir o desenvolvimento psicológico global das crianças. A expressão psicomotora estabelece a influência que o movimento tem na organização psicológica geral, assegurando a passagem da vertente corporal à vertente cognitivo-afectiva. E para que a actividade motora o seja de facto, não pode ser um movimento reflexo e espontâneo mas sim volitivo e intencional.
Ao avançar no conhecimento e manipulação do seu corpo, a criança actualiza e exercita os seus instrumentos cognitivos, afectivos e relacionais à conquista da construção da sua individualidade. Não se pode explicar a uma criança como é que ela é, só o vivenciar das situações lhe permite o conhecimento do seu esquema corporal e lhe possibilita fazer a diferenciação face aos outros e ao mundo.
Para que a expressão psicomotora seja trabalhada de forma adequada necessita que sejam utilizadas funções motoras, perceptivas, afectivas, e sócio-motoras, pois assim as crianças exploram o ambiente e passam por experiências concretas indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual. A motricidade assume então um papel fundamental no desenvolvimento das restantes áreas, nomeadamente a cognição, a linguagem e o domínio sócio-emocional.
Torna-se portanto determinante a existência de contextos que possibilitem à criança a concretização de situações potenciadoras do desenvolvimento de competências como o equilíbrio, a lateralidade, a coordenação óculo-manual, óculo-pedal, a noção de corporalidade ou organização espaço-temporal.
Segundo Zabalza (1992:33) “ o corpo é conteúdo didáctico permanente (vivê-lo, cuidá-lo, usá-lo, usufrui-lo, etc) da escola infantil”. É portanto imperativo oferecer respostas diversificadas e estimulantes ao desenvolvimento global.
Mafalda Peralta da Costa
Educadora de Infância
Zabalza, Miguel (1992), Didáctica da Educação Infantil Edições Asa, Rio Tinto